"Só há verdadeira solidão onde falta Deus."

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quaresma – tempo de reformas e construção!




Um novo tempo se descortina no cenário da Igreja nestes dias. Quando paramos pra pensar um pouco a respeito da QUARESMA, logo notamos a riqueza desse tempo litúrgico. Aliás, também percebemos a grande possibilidade que temos de restabelecermos nossa relação com Deus e com o “outro de mim”.

Gosto de pensar que a Quaresma é um tempo singular, no qual deitamos no chão da existência humana e levantamo-nos mais devolvidos, uma vez que havia muitas partes de nós esparramadas, caídas por aí, levadas pela miséria do pecado… Essa dinâmica do deitar-se no chão e levantar-se outro, nos ajuda a viver com sacralidade o rito litúrgico das cinzas. Revela nossas fragilidades e limitações, ao passo que também nos põe de pé, levando-nos a acreditar que ainda vale a pena ir adiante; levando-nos também a compreender que estamos em construção, que estamos em reforma. E que nesta reforma é Deus mesmo quem “tira a primeira pedra”. Ele nunca atira. Deus não sabe atirar… Prefere tirar… Devolvendo-nos a nós mesmo a cada dia, surpreendendo-nos com medidas que não merecemos.

Quaresma, é portanto, esta oportunidade bonita de experimentar em nosso ritmo de vida 40 dias para nos reformarmos, refazermos e observarmos a qualidade dos passos que temos dados rumo à conversão e santidade. Tenho aprendido que a partir desta compreensão, fica claro também que como disicípulos caminhamos no embalo daquele mesmo movimento do Bom Mestre, que jejuou e inclinou-se em oração por 40 dias. Pois bem, é esta a espiritualidade da Quaresma. Todavia, como é próprio deste tempo não queiramos fazer da penitência, das orações, jejuns e tantas outras práticas como um fim em si mesmas. Ao contrário, do mesmo modo que foi para o Cristo, elas também são para nós instrumentos, alicerces que solidificam a construção da nossa salvação. Nesta linda caminhada de 40 dias, deixemos que o Espírito Santo também seja nosso Bom Companheiro de estrada, do mesmo modo que foi para o Cristo. Caminhemos firmes, pois o ápice desta caminhada é justamente o terceiro dia no romper da Páscoa.

Seu irmão, Jerônimo Lauricio.
Por: Jerônimo Lauricio
Missionário e Seminarista da Comunidade Canção Nova.
Bacharel em Filosofia
Site: www.jeronimolauricio.com

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Desafios para o ministério do Catequista



“Adormeci e sonhei que a vida era alegria; despertei e vi que a vida
era serviço; servi e vi que o serviço era alegria” (R. Tagore).



Um dos maiores problemas enfrentados pela catequese hoje é a formação permanente.
Muitos não participam ativamente, inserindo-se na comunidade e em comunhão com a Igreja que conferiu o mandato de catequista. A conseqüência da falta de compromisso com a formação continuada será a educação de cristãos desvinculados da vida e da comunidade, para uma prática descompromissada e individualista.


Além da problemática da formação, encontramos diversas realidades que a catequese se depara:

* Crianças e jovens que encontraram na família um ambiente propício para a iniciação cristã e
outras não.
* Catequizandos que foram iniciados aos sacramentos, mas não foram devidamente iniciados
à vida comunitária.
* Diversidade quanto à realidade vivida pelos catequizandos.
* Famílias em situações irregulares diante das leis da Igreja.
* Pessoas cada vez mais sedentas de Deus e de um caminho de fé.
* Pluralidade de religiões e seitas numa sociedade cada vez mais global e excludente.
* Grande rotatividade de catequistas.
* Faltam catequistas preparados para o ministério na Igreja.
* Falta de um maior conhecimento bíblico e teológico.



É muito comum ouvir nas ruas que as pessoas não querem compromisso. Mas isto vira filme de terror, quando ouvimos da boca de um catequista: “se for pra exigir algo mais sério eu desisto de ser catequista!”. Se for um trabalho que exige tempo, disponibilidade e perseverança as pessoas e até os catequistas tentam dar um jeitinho para saírem de fininho. Não querem, não gostam, não se sentem autenticamente motivados.

Numa conversa bastante franca pode-se dizer que não é só a catequese que empenha sacrifício, capacidade para aprender e uma boa dose de motivação. Tudo na vida requer isso, inclusive o trabalho e o casamento. Será que as pessoas estão realmente conscientes disso? Muitos fazem suas opções sem terem consciência das conseqüências de suas escolhas.

A maioria das pessoas hoje quer optar por uma vida fácil, descomprometida e sem muita dor de cabeça. Será que a nossa fé cristã admite sustentar uma visão dessas? Ser cristão, não só de nome, implica em assumir pra valer o mesmo caminho de Jesus, um caminho que dá sentido à vida, que traz felicidade, mas que tem as suas renúncias, que requer doação, discernimento e coragem. Só quem ama verdadeiramente, está disposto a correr todos os riscos para oferecer maior qualidade de vida para os outros. Isto fez Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos” (Jo 15,13). Quem não segue este mesmo caminho, trai a sua fé e engana a si próprio num caminho de aparências e desventuras.

Em meio aos desafios, as Diretrizes Gerais para a Catequese já apontam para a catequese como uma ação prioritária na Igreja: “a formação catequética é prioridade absoluta, e qualquer atividade pastoral que não conte para a sua realização, com pessoas realmente formadas e preparadas, coloca em risco a sua qualidade” (DGC 234).

O ministério do catequista não pode ser de modo algum uma atividade improvisada, espontânea e momentânea. Para responder aos desafios faz-se necessário elencar alguns critérios importantes para ser catequista na Igreja:

> Ser jovem (acima de 15 anos) ou adulto, que tenha recebido os sacramentos de iniciação cristã.
>Alguém que tenha passado por uma formação inicial para ser catequista.
> Uma pessoa bem integrada consigo mesma, equilibrada em sua afetividade e sexualidade.
> Seja uma pessoa aberta e disponível para viver a comunhão com os demais membros da
comunidade que atuam em pastorais, movimentos e ministérios na Igreja.
> Tenha discernimento e boa conduta, habilidade para corrigir e humildade para servir.
> Saiba exercitar a paciência, por meio do respeito e da tolerância ao diferente.
> Seja uma pessoa alegre, com coração de discípulo para aprender e um místico para
experimentar a presença de Deus pela oração.
> Seja membro ativo de sua comunidade, que participa e celebra a sua fé, testemunha a
caridade e a esperança.
> Seja um pessoa de fácil convivência, de bom relacionamento e bonita amizade com os
demais catequistas.
> Saiba acolher os catequizandos e conviver com a diferença, sem perder sua identidade de pessoa, cristão e ministro da Igreja.
> Esteja aberto e atento à formação permanente, para crescer cada dia a mais no discipulado missionário de Jesus.
> Tenha grande estima pela catequese, deixando transparecer sua paixão pela catequese no anúncio-testemunho da Palavra de Deus.




Fonte: http://www.arquidiocese-pa.org.br/sistema_docs/um.pdf